17/01/2017 às 14h06min - Atualizada em 17/01/2017 às 14h06min

"O importante é ser sincero e fazer um compromisso bilateral", afirma novo secretário de Saúde de SC

Pamela Melissa
Jornal de Santa
Divulgação

Se traçarmos uma linha do tempo sobre a situação da saúde catarinense, o início da crise no setor deu os primeiros sinais ainda em 2015. No entanto, foi em 2016 que os atrasos nos repasses do governo, tanto federal quanto estadual, tiveram como consequência atendimentos suspensos, greves e pacientes se acumulando nas filas. Agora, nove meses após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) ter divulgado uma dívida de R$ 200 milhões naquela época - e com entidades apontando um déficit de R$ 800 milhões no fim de 2016, o novo secretário Estadual de Saúde, Vicente Caropreso, empossado nesta terça-feira, pretende iniciar diversas mudanças na pasta para, como ele mesmo pontuou "sair do noticiário negativo". 

Confira a entrevista completa:

 Quais são os desafios ao assumir a pasta?
R: Alguns, tanto da área política ou médica. Me perguntaram o motivo de eu encarar a pasta hoje com a alguma dificuldade financeira, mas eu encaro como um grande desafio. Eu tenho 35 anos como servidor da saúde, e acho que eu tenho para oferecer um pouco mais ou uma visão diferente da já bem sucedida gestão do ex-secretário. Eu tenho alguns propósitos, principalmente naquilo que representa hoje a metade do orçamento estadual da saúde. Nós temos R$ 3,5 bilhões previstos para este ano. Disso, 18 hospitais e cinco organizações sociais consomem exatamente 48% do orçamento. É nisso que nós vamos focar. Vamos fazer uma operação de guerra econômica, médica e da área da saúde para rever algumas posturas para que possamos oferecer (saúde) para mais pessoas. 

 

Essas metas que o senhor tem falado que pretende rever, quais são?
R: Eu tenho que rever contratos e metas dentro das organizações sociais. Eu tenho que fazer um choque de gestão dentro dos hospitais. Ainda por cima existe um grande injustiça no Estado. Grande parte dos hospitais está espalhada erroneamente pelo Estado. Essas situações nós vamos ter que rever. 

O senhor já se inteirou da dívida total que a secretaria de saúde acumula hoje?
R: Sim, pelas nossas contas é R$ 333 milhões. É lógico que alguns processos dentro dos hospitais pode elevar isso, mas não vai passar de 350 milhões.

Mesmo com a aprovação da PEC que aumentou o repasse para a saúde nos próximos anos – cerca de R$ 660 milhões para os próximos três anos, de acordo com a Alesc - a secretaria espera conseguir pagar todas essas dívidas e ainda ampliar o atendimento?
R: A gente acredita que esse ano, com acréscimo de R$ 150 milhões, a gente vai conseguir reduzir consideravelmente esse perfil da dívida. Caso nenhum solavanco ou nenhum imprevisto aconteça, nós vamos reduzir a dívida pela metade. Essa é a vontade, mas quem sabe a gente possa ter alguma coisa melhor ainda se a gente revir alguns contratos com as instituições sociais. Bem, não adianta eu fazer metas e não poder pagar, né? Isso gera tumulto, desesperança e sangra a imagem da secretaria e das próprias organizações sociais. Então o importante é ser sincero e fazer um compromisso bilateral sincero.

Ao assumir, há mudanças na diretoria da secretaria ou algum tipo de reestruturação?
R: Eu mantive o adjunto Murilo Capela que foi meu professor. Ele é uma entidade aqui na saúde. A novidade é o André Basso que vem da área da fazenda de ¿blindar¿ a secretaria da saúde da dificuldade financeira. 

Agora, quais são os primeiros repasses atrasados que o senhor pretende quitar?R: Principalmente nas prefeituras, as organizações sociais, mas revendo as minhas metas. Se eu conseguir fazer uma repactuação eu vou fazer. 

Quanto a pasta vai poder gastar ao longo deste ano?
R: Serão pouco mais de R$ 3 bilhões. Tem mais algumas fontes do estado e também a fonte do governo federal.

No ano passado a secretaria afirmou que o governo federal não repassou cerca de R$ 400 milhões para o Estado. Esse dinheiro ainda não foi pago?
R: Não foi pago, mas o ministro vai estar aí dia 25 para rever a dívida de vários hospitais filantrópicos aqui no Estado. Criciúma, Jaraguá do Sul e outros de perfil praticamente 80% ou 85% de atendimento pelo SUS fizeram "água". Estão endividados.

O senhor acredita em uma má gestão nos hospitais filantrópicos?
R: Eu acho que tem que rever essas administrações. Não adianta passar a conta para o Estado. E bem. gente e entidades com responsabilidade vão receber o nosso carinho todo especial.

As entidades vinculadas à saúde têm dito que pessoas então morrendo por falta de leitos e profissionais. Durante os últimos meses, e mesmo com o que foi visto nos noticiários, greves e suspensão de atendimentos, a secretaria negou isso. Mas e o senhor secretário, entende que isso tudo contribuiu com alguma morte nos hospitais? 
R: Quem comparar Santa Catarina com outros estados vai querer vir para cá, primeira coisa. Mas nós reconhecemos que alguns pontos do estado está faltando uma atenção melhor. Quem sabe essa dificuldade seja pela questão do gerenciamento. Aí que a nossa administração entra. Mas assim, vamos verificar de ponto a ponto para tentar reverter essa situação para sair do noticiário negativo. 

Temos perspectivas de concurso público ou outras formas de contratação?
R: Não, em princípio não. 

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