01/11/2016 às 09h12min - Atualizada em 01/11/2016 às 09h12min

Menina de oito anos com paralisia cerebral cria canal no Youtube para falar sobre inclusão

Pamela Melissa - Karine Wenzel
Jornal de Santa
Divulgação

— Eu nasci com um probleminha no cérebro e por isso eu não ando. Mas eu sou uma criança feliz, porque meus pais me amam e eu amo muito eles.

É com essa simplicidade que Nicolly Lacerda da Cruz, de oito anos, fala sobre a paralisia cerebral, resultado de uma parada respiratória que teve ao nascer. A falta de oxigenação atingiu a parte sensorial e os movimentos da menina, principalmente das pernas.

— Entrei numa de ficar com pena da Nicolly, não sabia o que ia ser do futuro dela. Comecei a pesquisar para entender o quadro dela e para buscar tratamento e vi que a paralisia cerebral não é esse bicho de sete cabeças — diz a mãe de Nikki, como a menina gosta de ser chamada, Manon Lacerda da Cruz.

Prova disso é que há dois meses a pequena moradora de Florianópolis resolveu realizar um sonho e criar um canal no Youtube para que "outras crianças especiais possam fazer o que ela faz". E isso inclui muita coisa. A youtuber já fez ensaios fotográficos e quis ser modelo, faz balé, sai com os amigos e ensina até a como se maquiar. Além disso, acumula quase 70 mil curtidas em sua página no Facebook e no canal entrevista famosos, como a Xuxa, que conheceu através de um tio. Nikki já participou do programa dela e até ganhou festa surpresa da apresentadora. Os próximos entrevistados na lista são o padre Fábio de Melo, Ivete Sangalo e Nany People. Mas os vídeos não se resumem às celebridades, neles ela também fala, de maneira direta e ao mesmo tempo doce, sobre inclusão. No quadro Papo Cabeça abordou, por exemplo, a importância de usar as órteses, aparelhos ortopédicos que ajudam no seu equilíbrio e para que ela se mantenha em pé. E isso promete ser só o começo.

— Eu deixo ela firme de quem ela é, eu falo para ela que a pior deficiência é a da alma — reforça a mãe, que se mudou há dois anos com a família para Florianópolis em função da inclusão às pessoas com deficiência na cidade, que, segundo Manon, é um diferencial em relação a todos os outros locais em que já morou.

— No Chile, fui em mais de 16 escolas e nenhuma a aceitava. Aqui encontrei uma escola toda preparada para cadeirante, apesar de nunca ter tido algum lá — conta a mãe da menina, que antes morava no Rio de Janeiro. 
 

Ela destaca ainda o encaminhamento rápido ao Centro de Reabilitação Catarinense (CCR), que logo no início já ofereceu acompanhamento com fisiatra:

— SC está muito bem preparado para atender a essas pessoas e é muito importante essa estrutura do Estado para as pessoas com deficiência se sentirem prontas.

 Apesar de ainda estar em dúvida sobre qual profissão seguir — escritora ou "aquela moça que faz música" — Nikki já carrega algumas certezas. Uma delas, que repete à exaustão, é que o importante é nunca desistir e que é capaz de tudo. Alguém duvida?  

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