19/04/2021 às 14h19min - Atualizada em 19/04/2021 às 14h19min

Doações de leite materno têm redução durante a pandemia em SC

ND Online
Divulgação
A pandemia da Covid-19 tem impactado os estoques dos bancos de leite humano em Santa Catarina: alguns deles registraram 50% de queda e, com isso, procuram estimular o retorno das doações, que são essenciais para salvar as vidas de crianças com baixo peso em UTIs do Estado.

Nesse sentido, um projeto de lei do deputado estadual Fernando Krelling (MDB) quer inserir no calendário de datas e festividades de Santa Catarina o Maio Branco, mês dedicado à causa. “Queremos enfatizar a importância da doação de leite materno humano, sensibilizando a sociedade e divulgando campanhas que mostrem a importância desta doação na promoção da vida destes pequenos recém-nascidos”, diz Krelling.

O pediatra Cecim El Achkar, conhecido como Tio Cecim em Florianópolis, um dos idealizadores do Congresso Catarinense de Aleitamento Materno, realizado anualmente na Assembleia Legislativa, destaca a importância da amamentação para o desenvolvimento das crianças e das mães. “Esse leite é mais que um alimento, é um tratamento, pois possui todos os nutrientes e anticorpos que colaboram para a imunidade dos bebês”, fala.

O aleitamento materno confere segurança emocional, estreitando o vínculo entre mãe e o filho, construindo um momento insubstituível. As carícias da mãe, ao amamentar, além de intensa sensação de prazer, vão progressivamente dando à criança a configuração do seu próprio corpo, permitindo o estabelecimento de limites do seu eu devido ao contorno que lhe é proporcionado pelo corpo materno, observa o pediatra.

Quem pode doar leite materno
Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno, basta estar saudável e não estar tomando nenhum medicamento que interfira na amamentação. Quem quiser doar, pode procurar o banco de leite humano mais próximo ou ligar para o Disque Saúde, pelo número de telefone 136.

A equipe de saúde realiza um cadastro de doadora e fornece todas as orientações para coleta e armazenamento do leite ordenhado. Uma dica é sempre ter em mãos os últimos exames realizados no pré-natal para que os médicos possam avaliar os dados.

Quando os dados de saúde e hábitos de vida são aprovados, a equipe do banco entra em contato com a doadora e agenda uma visita à residência para o dia seguinte. A partir disso, a doadora recebe, semanalmente, a visita da equipe de coleta para a retirada do leite ordenhado e ganha novos frascos vazios e esterilizados.

A enfermeira-chefe do Banco de Leite Humano do Hospital Regional de São José, Ângela Huber, confirma a diminuição na doação de leite e que a entidade está desenvolvendo uma campanha para aumentar o número de doadoras. “Tínhamos uma média de 15 a 20 doadoras, mas atualmente, devido à pandemia, o número é de dez doadoras.”

Ela reforça que, por parte da família dos receptores, não há motivos de preocupação. Durante a triagem, um dos critérios de doação é que lactantes ou nutrizes estejam saudáveis, sem nenhuma doença infectocontagiosa.

Santa Catarina conta com 13 bancos de leite humano e nove postos de coleta. A representante da Associação Brasileira de Aleitamento Materno (Abam), enfermeira Sônia Silva, faz um apelo para que as mães continuem doando leite durante a pandemia de Covid-19, período em que muitos bancos enfrentam redução nos estoques.

Sônia Silva destaca que para doar não é preciso sair de casa e garante que todo o procedimento é seguro, tanto para mães que doam como para os bebês. “As mães não precisam se preocupar quanto à questão da pandemia, porque o profissional da saúde do hospital vai até ao domicílio da doadora com todos os cuidados de higiene e de prevenção em relação à Covid”, ressalta.

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