24/07/2020 às 08h07min - Atualizada em 24/07/2020 às 08h07min

Abertura de processo de impeachment de Carlos Moisés repercute entre entidades

Secom
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A abertura do processo de impeachment do governador Carlos Moisés na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) repercutiu entre as principais entidades civis organizadas de Santa Catarina. Para os dirigentes, o processo é “legítimo”, mas revela a “fragilidade” do governo e pode “consequências negativas” para Santa Catarina, que já tem problemas demais com a crise de saúde pública e de economia provocadas pela pandemia do novo coronavírus.

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Santa Catarina, Rafael Horn, disse que a abertura do processo de impeachment causa uma “preocupação”, mas que ainda aguarda a publicação do ato administrativo para que a entidade possa examinar e acompanhar o processo, a exemplo do que acontece na CPI dos Respiradores promovida também pela Alesc. “Nós faremos o mesmo para que tudo ocorra dentro da Constituição”, salientou.

O presidente da Fetaesc (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de Santa Catarina), José Walter Dresch, classifica a abertura do processo de impeachment do governador como péssimo para o cenário de Santa Catarina. “Se o governador tem razão ou não tem é outra questão”, afirma Dresch, que não avaliou especificamente as razões quer levaram à abertura do processo.

Para Dresch, o processo de impeachment “não contribui em nada” com o Estado, uma vez que o governador Carlos Moisés já estava tendo dificuldade para compreender o contexto do setor produtivo. “É lamentável que Santa Catarina, depois dessa pandemia, tenha mais esse problema, que pode durar um longo período”, completou.

Para o presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt, a abertura do processo de impeachment cria uma insegurança política enorme. Por isso, o dirigente defende uma solução rápida, uma vez que o governo do Estado também precisa enfrentar os problemas de saúde e de economia causados pela pandemia.

“O ponto primordial passa a ser a apuração dos fatos, o que cabe aos nossos deputados, mas sem dúvida, passa a ter um reflexo em toda a sociedade catarinense, não só no empresário, mas no funcionário, no aposentado, em todo mundo”.

O presidente da Fecam (Federação Catarinense dos Municípios) e prefeito de Major Vieira, Orildo Severgnini (MDB), destacou a fragilidade do governo de Carlos Moisés diante da abertura do processo de impeachment.

“A Fecam encara a abertura do processo como legítimo e normal, mas não com bons olhos para Santa Catarina, porque deixa o governo muito fragilizado”, declarou. Severgnini teme uma mudança de foco de ações do governo do Estado. “O trabalho dele será só se defender a partir de agora. O Estado vai ter consequências muito grandes”.

A FAESC (Federação da Agricultura do Estado de Santa Catarina) também foi procurada pela reportagem, mas o presidente Enori Barbieri preferiu não se manifestar pelo entendimento de que “se trata de um processo integralmente de natureza política”.

O presidente da Facisc (Federação das Associações Comerciais e Industriais de Santa Catarina), Jonnhy Zulauf, pretende visitar o governador Carlos Moisés nesta sexta-feira (24) para demonstrar solidariedade em razão da abertura do processo de impeachment na Alesc.

Segundo Zulauf, a estabilidade institucional é necessária, e o pedido de impeachment é inoportuno diante da pandemia do novo coronavírus e dos estragos provocados pelo ciclone Bomba. “Não é hora de sair caçando bruxas. Estamos vivendo um momento de complicação política sem precedentes. É uma irresponsabilidade até. É mais um revés que afeta Santa Catarina”, definiu.

Zulauf teme que o processo de impeachment atrapalhe a retomada das atividades e geração de negócios. “Qual investidor vai querer aportar recursos em Santa Catarina?”, pergunta.

Em relação às razões que levaram a abertura do processo de impeachment, Zulauf afirma que a questão já estava esclarecida a partir das decisões do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) e do TCE (Tribunal de Contas do Estado), que, respectivamente, suspendeu os pagamentos e declarou ilegalidade na equiparação salarial entre os procuradores do Estado e da Alesc. “A postura do denunciante é inoportuna e essa situação requentada pode trazer um prejuízo incalculável”, estimou.

Por outro lado, o dirigente salienta o aspecto da legalidade e a responsabilização necessária se houve crime ou delito. “Sou contrário a essa equivalência (salarial entre os procuradores do Estado e da Alesc), é um absurdo”, opinou Zulauf.
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