08/06/2020 às 09h46min - Atualizada em 08/06/2020 às 09h46min

Golpe do WhatsApp usa a pandemia para roubar dinheiro de vítimas

ND Online
Divulgação
Criminosos criaram mais uma estratégia para cometer crimes virtuais – desta vez utilizando a pandemia do coronavírus como brecha – para roubar dinheiro das vítimas. O golpe da vez é cometido pelo WhatsApp, quando hackers invadem as contas do aplicativo de mensagens para pedir dinheiro aos contatos das vítimas.

Um grupo de psicólogas de São Paulo virou alvo dos invasores recentemente. “Recebi uma ligação dizendo que era pra participar de um programa de televisão referente à pandemia na questão psicólogica. Aí, falaram que iriam passar um código [com um] link para acessar. Eu já tinha visto relato de pessoas que receberam uma ligação mais ou menos parecida e disse que não tinha interesse. Não cheguei a cair”, relata a psicóloga Cleide Amaral.

Segundo a vítima, a ligação ocorreu há poucas semanas, feita por uma mulher muito educada. Após a negativa, a interlocutora encerrou a chamada sem insistir. Ao menos outras quatro profissionais liberais que integram o mesmo grupo de WhatsApp foram abordadas da mesma forma.

“Realmente, parece que [esse tipo de crime] está aumentando [na pandemia]. Vários colegas meus receberam ligações. Nesse mesmo formato. Um rapaz com voz de empolgação falou o meu nome e disse que estava me convidando para participar de programa em uma pauta de psicologia. Ele disse que mandaria um SMS com um código para fornecer dados e enviaria a pauta. Quando disse que iria roubar os meus dados, ele desligou. Se eu tivesse sido ingênua, iria entrar no meu WhatsApp”, avaliou Carolina Mendes.

Já a psicóloga Heloísa Barbosa revelou que outro colega disse ter recebido uma proposta semelhante. Os golpistas usam informações sobre pessoas próximas para dar uma falsa sensação de credibilidade.

Ela também atendeu a uma ligação que a convidava para participar de um suposto programa de televisão. No total, foram três contatos. Os criminosos diziam que estavam selecionando psicólogos para comentar três temas ligados à sua área de atuação. A vítima teria a opção de escolher os assuntos e horários da entrevista.

“Perguntei como tinham conseguido o meu número e disseram que era por meio das redes sociais. Eles citaram alguns nomes de pessoas que conheço e colegas de profissão. São muito espertos na forma de conversar. A primeira ligação foi de uma mulher. Depois, foram dois outros homens diferentes. Vozes diferentes e pessoas instruídas. Eles entendem de psicologia. Quando falei que não ia fazer, não me questionaram, apenas desligaram”, disse.

Heloísa revelou ainda que uma prima foi vítima do golpe, mas com uma abordagem diferente. A vítima recebeu uma mensagem via SMS com a orientação para clicar em um link após fazer compras pela internet.

“Clonaram [o celular da prima] e ficaram pedindo dinheiro [para contatos dela]. É um golpe perigoso, ainda mais quando se trata de pessoas idosas, porque elas não têm a mesma malícia”, completou a psicóloga.

A fonoaudióloga Erika Laperuta acredita que teve o aparelho invadido depois de uma compra em um conhecido aplicativo de entrega de produtos. Pelos seus cálculos, cerca de 30 amigos foram abordados pelos golpistas com pedidos de dinheiro. Uma dessas pessoas efetuou cerca de R$ 14 mil em transferências para duas contas bancárias passadas pelo grupo criminoso.

“[Tudo ocorreu] em menos de uma hora, até que eu bloqueasse o Whats. [Os golpistas] Pediam transferência ou pagamento de boletos. A maior parte das pessoas ligou de volta na hora, com exceção de uma amiga minha”, lamentou.

Erika Laperuta acrescentou que os suspeitos tentaram fazer várias compras por aplicativo de delivery e gastaram cerca de R$ 500 em uma rede de fastfood até que bloqueasse o cartão de crédito. “Ao todo, tentaram fazer sete ou oito compras”, avaliou.

A fonoaudióloga registrou um boletim de ocorrência eletrônico, conforme orientação das autoridades estaduais para estimular o isolamento social e evitar aglomerações em delegacias durante o surto da Sars-Cov-2. Já a amiga foi até a instituição bancária da qual é cliente para reverter as transações, mas recuperou apenas metade do valor perdido.

Conscientização sobre fraudes
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que há um esforço grande do setor bancário em contribuir para o combate aos golpes e fraudes que usam engenharia social, armadilhas que os golpistas criam para obter dados, senhas e informações pessoais dos clientes ou levá-los a fazer pagamentos em benefício dos criminosos.

Durante o período de quarentena, as instituições financeiras registraram um aumento de até 45% nas tentativas de golpes virtuais, como o envio de códigos maliciosos pelo celular e ataques de phishing – que se inicia por meio de recebimento de e-mails que carregam vírus ou links que direcionam o usuário a sites falsos e que, normalmente, possuem remetentes desconhecidos ou falsos.

Segundo a instituição, os bancos investem cerca de R$ 2 bilhões por ano em sistema de tecnologia voltados à segurança da informação, que inclui o desenvolvimento de ferramentas para evitar tentativas de fraudes e garantir confidencialidade dos dados de seus clientes, além de promover campanhas de esclarecimentos à população.

Além dos investimentos e das parcerias – com governos, polícia e o poder judiciário no desenvolvimento de ações de inteligência para prender quadrilhas e propor novos padrões de proteção -, os bancos e a Febraban enfatizam o desenvolvimento de ações de conscientização, como a elaboração de uma cartilha para ajudar a população a evitar golpes.

Dispositivos de segurança
O delegado Carlos Ruiz, titular da 4ª DIG (Delegacia de Investigações sobre Crimes Cometidos por Meios Eletrônicos) do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), ressalta que uma forma de minimizar o risco de ter os dados clonados seria habilitar o fator de verificação em duas etapas do WhatsApp.

“A própria mensagem do WhatsApp [orienta] para que não compartilhe as mensagens com ninguém. A pessoa passa voluntariamente. Se o celular tiver a configuração em duas etapas, mesmo que tiver o código de transferência de alguém, o golpista não vai conseguir fazer [completar o golpe]. Acho que o WhatsApp deveria exigir essa senha quando o aplicativo é instalado. E, claro, a melhor maneira [de não cair no golpe] é não passar código para ninguém”, orientou o delegado da Polícia Civil.

Alertas e procedimentos de segurança
Em nota, o WhatsApp destaca que a empresa, que possui cerca de dois bilhões de usuários no mundo, se tornou o principal aplicativo usado pelos brasileiros para se comunicar com amigos, familiares, colegas de trabalho e até com empresas. Pela sua relevância e múltipla utilidade no Brasil, o aplicativo também é alvo de golpes e o mais recente é a clonagem de número.

Por isso, o WhatsApp implementou um alerta nas mensagens de verificação de conta, avisando seus usuários a não compartilharem o código recebido via SMS, uma vez que essa senha é pessoal e dá ao usuário a segurança de acesso.
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp