05/05/2020 às 11h12min - Atualizada em 05/05/2020 às 11h12min

Com novos mercados, agronegócio deve fazer a economia de SC reagir

Agência Brasil
Divulgação
Os diversos segmentos do mundo sofrem com as consequências econômicas da pandemia do novo coronavírus. Em meio a tantas incertezas, o Brasil não está fora deste problema mundial e, por causa disso, muitos setores precisaram se reinventar para uma nova encontrar a trajetória do crescimento.

Santa Catarina também sente o déficit econômico em vários segmentos e se afunda em uma crise corroborada pelo desemprego em massa. Todavia, o Estado conta com o agronegócio que é fundamental para a recuperação do equilíbrio a médio-longo prazo.

Isso se deve por conta da presença de Santa Catarina no mercado internacional. Em 2019, por exemplo, o agronegócio — com seus mais de 40 subsetores no Brasil — respondeu por 67% das exportações no primeiro trimestre no Estado. A receita passou de US$ 1,28 bilhão no período.

A expectativa de que o setor ajude a regular a economia em meio à pandemia — não somente de Santa Catarina — aumenta com as previsões positivas do Ministério da Agricultura.

Países que antes puseram barreiras para importar produtos do Brasil, com o advento do coronavírus, observam o país brasileiro como a melhor alternativa. A exportação de proteínas animal (bovinos, suínos e aves) deve ser o imprescindível para os catarinenses.

Abertura de novos mercados
Conforme a Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), atualmente o Estado exporta frango para 180 países e suíno para 60. Com a projeção, se prevê a abertura de livre mercado da proteína com pelo menos 30 novas federações, onde Santa Catarina vê um refúgio da crise.

Apesar da importância da ampliação, a Faesc se diz preocupada com a novidade, visto que de imediato não há estoque para exportação.

“Por conta da peste suína africana, a China aumentou as importações e praticamente estamos mandando tudo o que temos”, explica o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri.

Ele lembra que Santa Catarina sempre se beneficiou das crises mundiais e, desta vez, se abre novas oportunidades de tratativas com outros países que antes o Brasil não tinha acesso.

Contudo, o planejamento deve ser de pelo menos dois anos. “Penso que às indústrias não vão perder essa oportunidade, começando hoje o processo e pensando no futuro”, pontuou.

A intenção, segundo a Faesc, é consolidar novos mercados e diluir a renda para ter uma estabilidade maior, considerando a demora para firmar negócios com o mercado internacional.

“Temos interesse em buscar esses novos mercados que estão se abrindo e irmos trabalhando, pois, para alcançar o mercado internacional não se consegue de um dia para o outro. Exemplo disso é a China, com quem temos contrato de até três anos firmados”, comenta Barbieri.

No ano passado, o agronegócio representou 21,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, cresceu 3,8%, de acordo com Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

Produção no Oeste do Estado
Grandes indústrias responsáveis por exportações em Santa Catarina estão localizadas no Oeste. São elas que, segundo a Faesc, devem aproveitar novamente as oportunidades oferecidas pelo mercado estrangeiro. “Elas já contam com uma estrutura,  basta planejar o aumento de produção”, salienta.

A Faesc alerta para um limitador que deve refletir na projeção: o produto básico essencial, que é o milho. Santa Catarina necessita importar de estados e países cada vez mais milho, sendo considerada hoje o maior importador do Brasil.

Das sete milhões de toneladas necessárias do grão para transformar em frango e suíno, cinco milhões serão importadas neste ano, segundo a Faesc. “A cada ano temos uma dependência maior deste cereal”, completou.

Por outro lado, Santa Catarina conta com estruturas de granjas consideradas de primeiro mundo, que é considerado um avanço no aumento da produção. 

Para a exportação, o produtor está otimista 
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Xanxerê, Bruno Linhares Bortoluzzi afirma que a pandemia quase não afetou em nada o setor do agronegócio de grãos, uma vez que as exportações continuam a todo vapor. Ele ressalta que houve uma melhora por conta da valorização do dólar e, por consequência, das exportações.

“Nossa previsão é que no ano que vem continuem sendo boas, pois, precisamos cada vez mais alimentos para enfrentar a pandemia”, analisa o produtor de leite e grãos.

Bortoluzzi trabalha na produção de quatro milhões de litros de leite por ano, 50 mil sacas de soja e 100 mil sacas de milho em sua propriedade localizada em Xanxerê, no Oeste do Estado.

“O agronegócio de Santa Catarina, seja ele proteína animal ou de grãos, vai fazer a diferença na balança de exportações do Estado e do País. É o diferencial do Brasil para manter a balança comercial”, salienta o produtor. Ele lembra que o Estado mantém a qualidade sanitária animal, o que será um diferencial para o comércio internacional.

Fabiano Mário Lanznaster, que trabalha na produção de proteína animal em Chapecó, também considera que houve valorização na exportação. Ele acredita que Santa Catarina deve superar a crise econômica com auxílio dos diversos segmentos do agronegócio. Contudo, ressalta os reflexos os impactos no mercado interno, visto que reduziu o consumo. 

Outros setores do agronegócio
Um estudo setorial desenvolvido pela TCP Partners concluiu que o café, a soja e o milho apresentarão o maior crescimento de receita com expansão de 26%, 14% e 13,5%, respectivamente. As informações foram divulgadas pela publicação IstoÉ Dinheiro.

“O agronegócio será fundamental para a recuperação da economia, pois vai garantir em 100% o abastecimento da população brasileira e suprirá o mundo com alimentos no pós-Covid-19”, prevê o economista-chefe e responsável por estratégia de mercado da TCP Partners, Ricardo Jacomassi.

A expansão passará também pela manutenção da força da indústria de fertilizantes e defensivos agrícolas e pelo setor de medicamentos veterinários, que deve seguir firme com aquisições para garantir a eficiência da produção para abastecer o mercado interno.

Os abates de bovinos no ano passado chegaram a 32,44 milhões de cabeças com crescimento de 1,2% sobre os abates feitos em 2018, segundo o IBGE. Foram 46,33 milhões de suínos abatidos, o que representou um aumento de 4,5% sobre 2018. O abate de frangos cresceu 1,9% em 2019 na comparação com o ano imediatamente anterior para 5,81 bilhões de cabeças.
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