12/02/2020 às 09h59min - Atualizada em 12/02/2020 às 09h59min

Coronavírus e as crianças pequenas: tudo que os pais precisam saber

MdeMulher
Divulgação
Desde os primeiros casos, diagnosticados em dezembro em Wuhan, cidade da China, o coronavírus (COVID-19) chegou a 24 países, já adoeceu 40 mil pessoas e fez mais de mil vítimas fatais no mundo. Não há nenhum caso confirmado no Brasil e sete suspeitos estão sob investigação. 

Mesmo sem registrar o vírus, o país está em alerta para sua possível chegada, e o relato de uma nova doença levanta temores nos pais. A boa notícia é que ainda não há motivos para pânico.

“Não temos casos na América do Sul e, por enquanto, só deve se preocupar quem apresenta sintomas respiratórios e foi para a China ou teve contato com alguém próximo que esteve lá nos últimos 14 dias e está com sintomas”, comenta Victor Horácio de Souza Costa Júnior, infectologista pediátrico do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. 

Conversamos com especialistas para entender como o coronavírus se manifesta em crianças pequenas e o que fazer para se proteger. 

O que é o coronavírus (COVID-19)?
Coronavírus é o nome de uma família de vírus que causa de resfriados à diarreias. Recentemente, um novo membro dela foi descoberto na China, o COVID-19. Ele provoca uma infecção respiratória com sintomas similares ao da gripe que, em 20% dos casos, evolui para uma versão mais grave. A mortalidade, contudo é considerada baixa, atingindo entre 2 e 3% dos infectados. 

Suas manifestações mais comuns são tosse e febre (raramente dores no corpo) e, nos quadros mais severos, insuficiência respiratória e cansaço. Outros vírus da família surgiram nas últimas décadas com manifestações parecidas e assustaram, mas foram contidos. Entre 2002 e 2003, a síndrome respiratória aguda grave (SARS) e, em 2012, a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS). 

Crianças pequenas estão mais sujeitas às complicações do coronavírus? 
Pelo contrário. “O acometimento tem sido muito menor nas crianças do que os adultos, principalmente nas versões mais graves”, explica Livio Dias, infectologista da Maternidade Pro Matre Paulista. Esta espécie de “proteção” já havia sido notada nas epidemias de SARS e MERS. 

Não é que elas não contraem, mas são menos atingidas pelos sintomas. “Provavelmente isso ocorra por conta de uma resposta melhor do sistema imune das crianças a quadros iniciais de infecção, que impede o agravamento da doença”, explica Dias. O paciente médio é homem e está na meia idade.

Ou seja, mesmo que chegue por aqui, é provável que esse padrão se mantenha. A exceção fica por conta dos bebês abaixo dos seis meses de vida, que têm as defesas mais frágeis e, por isso, estão mais vulneráveis às infecções no geral. 

Como o coronavírus é transmitido? 
Faltam estudos para dizer com certeza, mas até agora a transmissão parece se dar por gotículas de secreções respiratórias, expelidas em menor quantidade quando respiramos, e em maior quantidade ao espirrar e tossir. O contágio ocorre quando outra pessoa respira essas gotículas ou encosta em uma superfície contaminada e leva a mão a uma mucosa — olhos, boca e nariz. 

É preciso um contato próximo, de menos de um metro, para contrair o agente. Isso por si só já diminui um pouco a velocidade com a qual o vírus pode se espalhar. Estima-se que uma pessoa consiga transmitir o vírus para outras 3 — no sarampo são até 18, para se ter ideia. 

O que fazer para proteger meu filho? 
Sem casos no Brasil, não é preciso tomar nenhuma medida fora das habituais para prevenir outras infecções virais e bacterianas. “Para crianças que voltam às aulas agora, o ideal é ter a carteirinha de vacinação em dia, orientar desde cedo sobre a importância de higienizar as mãos e não compartilhar utensílios que vão à boca, como copos e talheres”, orienta Dias. 

A higienização deve ser feita com água e sabão — na ausência de pia, o álcool gel também é indicado — constantemente, principalmente depois dos passeios, ao chegar em casa, antes de comer, ir ao banheiro e ao ter contato com animais. É preciso esfregar as mãos por pelo menos 20 segundos. 

Outro ponto fundamental para impedir o avanço dos vírus respiratórios é manter os ambientes bem ventilados e respeitar a chamada etiqueta da tosse: cobrir nariz e boca sempre que for espirrar e tossir. 

O coronavírus pode ser mais perigoso para gestantes? 
Provavelmente sim. Nas epidemias de SARS e MERS, as gestantes acometidas tiveram complicações ligadas à saúde fetal, como restrição de crescimento fetal, abortos espontâneos e partos prematuros. “Não temos informações ainda sobre o coronavírus, mas pelo seu comportamento é bem possível que ele provoque um quadro semelhante”, explica Dias.

Durante a gestação, o sistema imunológico da mulher sofre alterações que a deixam mais vulnerável à infecções. “Além disso, SARS e MERS geram comprometimentos respiratórios importantes, que limitam o fornecimento de oxigênio e nutrientes pela placenta, o que afeta o bebê”, aponta Dias. 

Grávidas devem fazer um acompanhamento pré-natal adequado e ter preocupação extra com doenças transmissíveis. “O ideal é evitar situações de maior risco, grandes aglomerados de pessoas ou ter contato com pessoas que estão sabidamente doentes”, ensina Dias. 

Devo reforçar a imunidade com vitaminas extras? 
Atenção: muitos boatos estão circulando as redes sociais dizendo que é preciso reforçar a imunidade para impedir o contágio pelo coronavírus. Mas não há nenhuma comprovação de que chá de erva-doce, superdose de vitamina D, C, alho, óleos essenciais e outros produtos diminuam o risco de contrair a doença.

“Como em qualquer quadro infeccioso, um sistema imune saudável pode evitar casos mais graves. Neste sentido, manter uma boa alimentação, com frutas, legumes e verduras é uma medida recomendada, mas não existe um nutriente específico recomendado contra o coronavírus”, destaca Dias. 

Eu devo me preocupar? 
Por enquanto, todos os casos diagnosticados fora da China têm alguma relação com o país asiático, seja porque a pessoa esteve lá ou teve contato com alguém que contraiu o vírus no país. Ou seja, mesmo se um caso for diagnosticado no Brasil, não deve ser motivo de preocupação exceto que você esteja neste grupo. 

O que deve chamar a atenção e exigir novas medidas é a transmissão sustentada, quando uma pessoa passa para a outra sem nenhuma relação com o foco inicial da doença. Isso ainda não ocorreu em nenhum outro lugar do mundo. 

Desde o dia 5, não há registros de casos em novos países além dos 24 já atingidos, e fora da China os números são discretos: 319 casos e uma morte. Por último vale dizer que o Brasil convive com ameaças bem mais palpáveis do que o coronavírus, como a dengue — que esse ano já registrou mais de 30 mil casos prováveis — e a gripe, cuja temporada está prestes a começar.
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