18/11/2019 às 10h44min - Atualizada em 18/11/2019 às 10h44min

Evolução no tratamento contra o câncer em animais

MdeMulher
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A situação é conhecida entre nós, humanos: conforme a expectativa de vida aumenta, certas doenças que não costumavam preocupar tanto no passado se tornam mais comuns. Com cães e gatos, o raciocínio é semelhante. Como animais domésticos vivem cada vez mais, ficam propensos a problemas mais frequentes na velhice, caso do câncer. Um levantamento do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo, constatou que, nos últimos 30 anos, a expectativa de vida dos pets atendidos por lá dobrou.

Cães de pequeno porte, por exemplo, passaram de uma vida média de 9 para 18 anos. Já os felinos chegam fácil a duas décadas na família. O maior cuidado dos tutores e os progressos no tratamento veterinário respondem diretamente por esse fenômeno. Mas, como efeito colateral, mais bichos vivenciam a ameaça e o sofrimento de um tumor.

Calcular a prevalência da doença no mundo animal vem sendo um desafio. Os números variam de acordo com o local e as condições sanitárias dos países. Os especialistas apontam, porém, que o câncer já virou a principal causa de morte entre os animais de estimação em nações desenvolvidas — e o Brasil parece ir na mesma direção. A percepção tem convocado profissionais e tutores a realizarem check-ups preventivos e prestarem atenção em sinais da enfermidade, que variam conforme o tipo e a localização do tumor.

A instrução do veterinário é especialmente bem-vinda. “É importante observar, apalpar e distinguir o que é normal e o que não é”, diz Maria Inês Witz, professora de veterinária da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, no Rio Grande do Sul.

“Quando escovamos os dentes dos animais, é possível ver alguma alteração na gengiva ou na língua”, exemplifica a especialista. Calombos, inchaços e formações estranhas merecem o olhar de um profissional.

O ponto é que nem sempre um câncer dá sinais visíveis ou se sente em um toque. Daí a necessidade de reparar no comportamento do bicho. “Febre baixa, vômito, diarreia, falta de apetite frequente… Se não for detectada outra causa, precisamos investigar a presença de tumores”, recomenda o veterinário Jair Rodini Engracia Filho, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

Além de manter os cuidados e as consultas de rotina, sobretudo à medida que o pet envelhece, vale a pena saber que algumas estratégias reduzem o risco de encarar a doença: está comprovado, por exemplo, que a castração baixa a propensão a câncer de mama, um dos mais comuns em fêmeas.

É fato, contudo, que nem sempre dá para evitar seu aparecimento. Por isso, pintando a suspeita, não hesite em procurar o especialista. “É comum as pessoas acharem que o animal vai melhorar sozinho, e nessa espera as coisas pioram”, lamenta Maria Inês.

Os tumores mais prevalentes
De mama: muito frequente em gatas e o principal em cadelas, pode ser prevenido com a castração antes do primeiro cio ou da maturidade sexual.

De pele: o carcinoma espinocelular e o mastocitoma se manifestam na pele. Atingem raças de pelagem clara e boxer, pug e labrador.

TVT: é o tumor venéreo transmissível, disseminado pelo contato (sexo, lambidas…). Se instala em boca, focinho ou genitais.

Leucemia felina: causada pelo retrovírus, lembra muito a aids em humanos. Por ser de origem viral, pode ser prevenida com uma vacina.

O tratamento contra o câncer nos dias de hoje
Quando o diagnóstico vem, a notícia triste é acompanhada também por uma preocupação: e agora? O que posso fazer para ajudar? “Nos últimos anos, temos percebido uma grande evolução na relação do tutor com o animal”, observa Engracia Filho.

E ele completa: “Trinta anos atrás a maior parte dos cães era um animal de proteção da casa. Hoje, é um animal de companhia, e a pessoa já fica mais atenta a problemas, como nódulos ou o aparecimento de alguma massa anormal”.

Como ocorre com os humanos, o diagnóstico precoce é decisivo para um tratamento bem-sucedido. Logo, se ficar intrigado, não demore em levar o amigo ao veterinário.

Assim como os donos cuidam mais do pet e estão mais dispostos a desembolsar uma grana para custear tratamentos, a oncologia veterinária também deu um salto nas últimas décadas. O conhecimento e os investimentos na área possibilitaram a criação de novas terapias, hoje mais acessíveis. “O nosso intuito é promover o máximo de bem-estar e sobrevida possível”, resume o professor da PUC-PR.

Opção usual em um passado não tão distante, a eutanásia em casos assim pode ser agora a última alternativa, apenas escolhida quando a qualidade de vida não pode mais ser preservada.

“Infelizmente, muitos tutores ainda esbarram na dificuldade financeira para arcar com os custos do tratamento, e só vêm procurar ajuda quando a ação do veterinário já fica muito limitada”, relata o especialista.

Em casa, além do carinho e da parceria para enfrentar a doença, uma forma efetiva de ajudar o pet é cuidando da alimentação. “Uma dieta equilibrada, com o mínimo de conservantes e associada ao tratamento, minimiza o crescimento dos tumores”, explica Maria Inês.

Entre as mudanças de hábitos alimentares que os estudos recentes sugerem está a redução de carboidratos — como as células cancerosas consomem muita energia, uma ingestão limitada reduziria a atividade delas.

Os estudiosos cada vez mais concordam num ponto: os cânceres dos pets têm, em geral, muito em comum com os tumores que afetam os próprios seres humanos. “Os mecanismos da doença são semelhantes entre nós e os animais”, afirma Engracia Filho.

“Novas pesquisas feitas na medicina humana, como o reconhecimento e a intervenção em genes ligados ao câncer, também poderão servir na oncologia veterinária”, acredita o professor.

Pois é, essa é uma área da ciência que se beneficia das trocas de conhecimento entre saúde humana e animal (e vice-versa). E, para os pets, é uma retribuição por um companheirismo e uma amizade que não têm preço.

Quais são principais tratamentos contra o câncer em animais
Cirurgia: quando há possibilidade de fazê-la, ainda é o método preferido, já que aumenta a chance de eliminar o tumor por completo.

Quimioterapia: é recomendada quando a cirurgia não é indicada ou há suspeitas de que ainda existem células do câncer no organismo do animal.

Radioterapia: tecnologia mais recente na oncologia veterinária, é oferecida em poucas cidades, geralmente adaptando equipamentos da medicina humana.

Medicamentos: ainda há poucas opções no mercado, mas novos remédios vêm sendo testados com sucesso. A aposta está em drogas com ação precisa.
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