07/10/2019 às 08h40min - Atualizada em 07/10/2019 às 08h40min

Conheça 6 mitos e verdades sobre o uso de chupetas em bebês

MdeMulher
Divulgação
A chupeta é um objeto comum no enxoval do bebê, e muitos pais a consideram um recurso válido para acalmar os filhos no início da vida. O objeto, contudo, é associado em estudos a uma possível interferência no desenvolvimento oral e na amamentação, principalmente se utilizado com frequência. Ou seja, apesar de acalmar, pode trazer mais riscos do que benefícios.

Para os especialistas, usar ou não é uma escolha pessoal, a ser tomada pelos pais. “Não existe certo ou errado, mas eles devem conhecer os riscos e receber orientações para tomar uma decisão consciente”, aponta Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Esclarecemos a seguir alguns tópicos polêmicos sobre o assunto para ajudar a nortear a sua decisão:

Chupeta pode atrapalhar a amamentação?
Parcialmente verdade. Em sua diretriz sobre o assunto, a Sociedade Brasileira de Pediatria confirma a relação, embora destaque que as evidências sobre o assunto são conflitantes. “Sabemos que ela pode atrapalhar e que, por outro lado, quanto mais estabelecida a amamentação, menos a criança precisará da chupeta”, comenta Santiago.

Entretanto, a Cochrane, uma entidade autônoma que revisa as evidências médicas mais robustas sobre diversos temas, diz que o uso não afeta significativamente a prevalência e a duração do aleitamento exclusivo. De qualquer maneira, a Associação Americana de Pediatria recomenda que a chupeta seja oferecida ao bebê quando a amamentação já estiver estabelecida, por volta das 4 semanas de vida.

“Se ainda há dificuldades como pega incorreta, dor e lesões nos mamilos e o bebê não ganha peso, a chupeta pode piorar essa situação”, aponta Kelly Oliveira, pediatra pela Universidade de São Paulo (USP) e consultora em amamentação pelo Conselho Internacional de Avaliação de Consultores em Lactação (IBCLE).

Chupeta pode atrapalhar o desenvolvimento oral?
Verdade, mas calma. Estudos internacionais mostram que o uso prolongado é que está mais associado a problemas dentais. “Se ele for interrompido antes dos dois anos, mesmo que a mordida já tenha aberto um pouco, haverá uma readequação óssea da mandíbula e do maxilar para o formato adequado”, aponta a odontopediatra Aline Morais, que tira dúvidas sobre saúde bucal infantil no Instagram Encantadora de Crianças.

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta em sua diretriz, contudo, que qualquer tipo de uso pode interferir na formação do sistema estomatognático, conjunto de músculos que comanda fala, deglutição e respiração, especialmente quando associado ao desmame, pois o aleitamento é uma etapa fundamental para o desenvolvimento da região.

Todo bico de chupeta é igual?
Mito. Cada faixa etária tem um tamanho recomendado, e o formato do bico também interfere. “A chupeta não é a grande vilã, basta não fazer a utilização prolongada e escolher um bico ortodôntico, que mantenha os lábios unidos, seja flexível e fino no centro, para reduzir o risco de desalinhar os dentes”, aponta Aline.

“Também é importante que o bico seja flexível, para que a língua suba em direção ao palato, em sua posição natural”, destaca Monika Skokan, líder da área de cooperação médico-científica da MAM*. O material faz diferença: o látex é mais natural, mas menos resistente ao calor e a ranhuras que facilitam a contaminação por micro-organismos.

A chupeta acalma o bebê?
Verdade. A sucção não nutritiva é uma das estratégias dos pequenos para relaxar em momentos de tensão. E muitas mães acabam recorrendo a ela pois é impossível dar o peito 24 horas por dia para o filho. Neste caso, ela age mesmo como um conforto. Mas, segundo os especialistas, considerando os prós e contras do seu uso, vale também entender melhor o contexto em que o bebê precisa ser acalmado, justamente para que a chupeta não vire solução para tudo. “Os pais devem ter em mente que é uma fase e que existem outras formas de consolar, especialmente nos três primeiros meses de vida, como o contato pele a pele, o uso de slings, ninar e balançar”, destaca Kelly.

Todo bebê que usa chupetas tem problemas de saúde?
Mito, pois os estudos analisam a incidência de problemas em crianças que usam ou não chupeta – ou seja, trata-se de uma associação, não de uma causa direta. De qualquer maneira, é possível reduzir o perigo dessas complicações, oferecendo pelo menor tempo possível, em momentos estratégicos, de preferência quando outros recursos pacificadores já tiverem falhado ou na hora de dormir, e retirando assim que a criança se acalma ou adormece.
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