21/03/2019 às 17h04min - Atualizada em 21/03/2019 às 17h04min

Após 54 dias de operação, bombeiros de SC falam sobre buscas em Brumadinho (MG)

g1
Divulgação
O Corpo Bombeiros de Santa Catarina divulgou na manhã desta quinta-feira (21) o primeiro balanço da operação de resgate na tragédia de Brumadinho (MG). As equipes embarcaram poucos dias após o rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro deste ano, que deixou mais de 200 de pessoas mortas e dezenas desaparecidas.



Durante os 54 dias de trabalhos foram localizados pela corporação catarinense 17 corpos inteiros, mais de cem fragmentos de corpos, animais e equipamentos. Conforme os bombeiros, mais de 40% das vítimas que não estavam na superfície foram encontradas pelas equipes catarinenses.




A atual fase de buscas envolve extração pesada de escombros e a presença dos binômios (tutor bombeiro e cão de resgate) é considerada importante nos trabalhos. Por conta disso, na próxima sexta-feira (29), novas equipes devem ser envidas para seguir nos trabalhos na cidade mineira.



Conforme balanço divulgado, até o momento quatro equipes com 43 bombeiros militares de Santa Catarina se revezaram na operação. Foram realizadas 14 forças-tarefas, envolvendo três pilotos de drones e sete binômios. Também foram deslocados para Minas Gerais quatro viaturas, um caminhão de ajuda humanitária e um ônibus.

Segundo o subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Alexandre Vieira, responsável pelas atividades operacionais da corporação, no último domingo (17) foram localizados dez fragmentos de corpos, nove pelo cão Hunter, que retorna para estado catarinense nesta sexta.

"Santa Catarina tem um modelo de gestão em desastre onde aplicamos as forças-tarefas com equipes treinadas e capacitadas para os mais diversos tipos de desastres, como buscas de pessoas mortas ou com vidas, resgates em áreas inundadas. Além de equipe com drones para fazer a localização", explica.

Além disso, tanto os bombeiros quanto os cães fizeram exames para verificar possível contaminação por causa dos trabalhos. Segundo a corporação, a última turma com cães faz exames de sangue nesta quinta-feira no Laboratório de Saúde Pública (Lacen). Os bombeiros também devem passar ainda por análise psicológica.

Trabalho com cães

O tenente-coronel Walter Parizotto, presidente da coordenadoria de força-tarefa e busca e resgate com cães, lamentou a dificuldade em conseguir amostras de tecido humano para o treinamento de cães.

"É uma realidade brasileira não ter uma legislação que apoia isso e nós dependemos das parcerias com os hospitais locais. Os trabalhos poderiam estar muito melhor se conseguíssemos amostras para treinar nossos cães, mesmo assim os nossos cães são os que têm tido os melhores desempenhos de forma efetiva", explica.

Segundo Parizotto, essa fase da operação em Minas Gerais é dependente de cães. "Na primeira fase, os cães localizavam, os homens extraíam. Agora, basicamente temos cães ou binômio e as máquinas pesadas que fazem a extração. Nós localizamos 17 corpos inteiros, identificados, e mais de 100 fragmentos de tecido humano. A localização desses fragmentos é muito importante para as famílias", diz.

Ainda de acordo com Parizotto, são característicos dos cães de Santa Catarina, a seleção, capacitação e certificação. "Somos o único estado brasileiro que não coloca cães em atividade real sem prévia certificação", afirma.
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